Quanto tempo
Dois a três dias para a cidade, a praia e a Albufera. Com mais tempo, há muito para descobrir à volta.
Melhor altura
Primavera e outono. Em março há as Fallas, uma festa enorme com monumentos que ardem; no verão, calor e praia.
Como chegar (a partir de Lisboa)
Há voos diretos de Lisboa, com cerca de uma hora e quarenta minutos de viagem. De Madrid, o comboio de alta velocidade leva cerca de uma hora e quarenta.
Ideal para
Famílias, amantes de arquitetura, quem gosta de andar de bicicleta e quem vai a Espanha por causa da paella.
Não esquecer
Uma bicicleta alugada: Valência é plana e tem ciclovias por todo o lado.
Valência é a cidade que pegou num rio que inundava tudo, desviou-o, e transformou o leito antigo num jardim de nove quilómetros. No fim desse jardim construiu edifícios que parecem naves espaciais, e no princípio guardou um centro histórico gótico com um cálice que dizem ser o Santo Graal. Tem praias urbanas largas, um mercado de cortar a respiração e é a terra da paella, que os valencianos defendem com uma paixão que não admite chouriço. Nem pense nisso.
A Cidade das Artes e das Ciências
No extremo do antigo leito do rio fica a Cidade das Artes e das Ciências, um conjunto de edifícios futuristas desenhados sobretudo pelo arquiteto valenciano Santiago Calatrava. Brancos, curvos e rodeados de lagos azuis, parecem saídos de um filme de ficção científica.
O Hemisfèric, em forma de olho, tem um cinema IMAX; o Museu das Ciências é interativo e ótimo para crianças; o Palau de les Arts recebe ópera e concertos. O Oceanogràfic é um dos maiores aquários da Europa, com tubarões, golfinhos e belugas.
Mesmo sem entrar em nenhum edifício, vale a pena passear à volta, sobretudo ao fim da tarde e à noite, quando as luzes se refletem na água. É a imagem mais famosa da Valência moderna.
O centro histórico: catedral, Graal e o Bairro del Carmen
A Catedral de Valência junta estilos românico, gótico e barroco, e guarda numa capela um cálice antigo que a tradição identifica como o Santo Graal. Ao lado, a torre do Miguelete oferece, depois de muitos degraus, uma vista sobre os telhados e as cúpulas azuis da cidade.
O Bairro del Carmen é o coração boémio do centro, com ruas estreitas, arte urbana, bares e esplanadas. Ali perto ficam as Torres de Serranos e as Torres de Quart, antigas portas da muralha medieval.
A Praça da Virgem e a Praça da Rainha são os grandes pontos de encontro. Em março, durante as Fallas, enchem-se de flores, música, pólvora e monumentos gigantes de cartão e madeira que ardem na última noite.
A Lonja da Seda e o Mercado Central
A Lonja da Seda, do século XV, é um dos edifícios góticos civis mais bonitos da Europa e Património Mundial da UNESCO. A sala das colunas, com pilares em espiral que se abrem como palmeiras no teto, era onde os mercadores faziam negócio.
Mesmo em frente fica o Mercado Central, um dos maiores mercados cobertos da Europa, em estilo modernista, com cúpulas, vitrais e azulejos. Lá dentro há centenas de bancas de fruta, peixe, presunto, especiarias e arroz.
Vá de manhã, com fome, e peça qualquer coisa para provar ao balcão. Perto, prove a horchata, uma bebida fresca de chufa, com fartons, uns bolos compridos feitos para molhar.
O jardim do Túria e as praias
Depois de uma grande cheia em 1957, o rio Túria foi desviado para fora da cidade, e o leito antigo transformou-se num parque contínuo de cerca de nove quilómetros. Tem relvados, campos de jogos, fontes, pontes antigas e ciclovias, e atravessa a cidade de ponta a ponta.
Alugar uma bicicleta e percorrer o Túria até à Cidade das Artes é uma das melhores formas de conhecer Valência. A cidade é plana, as ciclovias são boas e o clima ajuda quase todo o ano.
Valência tem praias urbanas largas e de areia fina, como a Malvarrosa e Las Arenas, a pouca distância do centro. Ao longo do passeio marítimo há restaurantes de arroz e bares para ver o pôr do sol.
A paella e a Albufera
A paella nasceu nos arredores de Valência e aqui é coisa séria. A paella valenciana tradicional leva frango, coelho, feijão verde, garrofó, um feijão branco largo, açafrão e arroz da região, cozinhada numa paelheira larga sobre lume. Marisco é outra paella; chouriço, nunca.
O melhor sítio para a provar é a Albufera, um parque natural a sul da cidade, com uma grande lagoa rodeada de arrozais. Na aldeia de El Palmar há restaurantes de paella e passeios de barco pela lagoa ao pôr do sol, com garças e pescadores.
Uma regra local: a paella come-se ao almoço, não ao jantar. E a parte tostada no fundo, o socarrat, é a mais disputada da mesa. Peça a sua com antecedência, que demora.
Um dia perfeito em Valência
09:00
Mercado Central
Pequeno-almoço ao balcão, entre frutas, presunto e especiarias.
10:30
Lonja da Seda e catedral
As colunas em espiral, o Santo Graal e a subida ao Miguelete.
12:00
Bairro del Carmen
Ruas estreitas, arte urbana e as Torres de Serranos.
14:00
Paella na Albufera
Almoço de paella valenciana em El Palmar.
16:30
Barco na lagoa
Passeio pela Albufera entre arrozais e garças.
18:30
Túria de bicicleta
Do centro até à Cidade das Artes, com o pôr do sol nos lagos.
21:00
Jantar de tapas
Esgarraet, clóchinas no verão e uma Agua de Valencia para brindar.
Quanto custa
Valência é das grandes cidades espanholas mais acessíveis. O que pesa mais são as entradas do Oceanogràfic e os restaurantes de paella com vista.
Poupado
65–110 €
por pessoa, por dia
Hostel, menu do dia, bicicleta no Túria, praia grátis e uma horchata ao fim da tarde.
Confortável
140–240 €
por pessoa, por dia
Hotel no centro, Oceanogràfic ou Museu das Ciências, paella na Albufera e passeio de barco.
Sem olhar a gastos
330–650 €
por pessoa, por dia
Hotel de praia ou boutique, restaurantes de autor e transporte privado para a Albufera e arredores.
Cama em hostel
por noite · Mais caro nas Fallas
25 € – 45 €
Hotel de gama média no centro
por noite, quarto duplo
80 € – 150 €
Hotel boutique ou de praia
por noite, quarto duplo
170 € – 320 €
Entradas na Cidade das Artes
por pessoa · O Oceanogràfic é o mais caro
10 € – 40 €
Horchata com fartons
por pessoa
3 € – 6 €
Subida ao Miguelete
por pessoa
3 € – 6 €
Almoço de menu do dia
por refeição
12 € – 20 €
Paella com bebida
por pessoa · Normalmente para dois ou mais
25 € – 45 €
Passeio de barco na Albufera
por pessoa
20 € – 35 €
Valores de referência aproximados para 2026. Confirme sempre antes de ir.
Erros de turista a evitar
- ✕Pedir paella ao jantar num restaurante para turistas e achar que é a verdadeira.
- ✕Pôr chouriço na paella, mesmo em pensamento.
- ✕Vir nas Fallas sem reservar alojamento e esperar dormir em silêncio.
- ✕Ficar só na Cidade das Artes e nunca ver o centro histórico.
- ✕Andar de bicicleta fora das ciclovias no centro. Há muitas, use-as.
- ✕Ir à Albufera à hora de almoço de domingo sem reserva.
«Em Valência discute-se política, futebol e paella. As duas primeiras admitem opiniões.»
Mais fotos de Valência
Perguntas frequentes
Como ir de Lisboa a Valência?
De avião, há voos diretos com cerca de uma hora e quarenta minutos. Também se pode ir via Madrid e apanhar o comboio de alta velocidade, que demora cerca de uma hora e quarenta.
O que é a Cidade das Artes e das Ciências?
Um conjunto de edifícios futuristas no antigo leito do rio Túria, desenhado sobretudo por Santiago Calatrava, com museu de ciências, cinema IMAX, ópera e um dos maiores aquários da Europa.
Onde comer a melhor paella em Valência?
Na Albufera, sobretudo na aldeia de El Palmar, rodeada de arrozais. A paella valenciana tradicional leva frango, coelho, feijão verde e garrofó, e come-se ao almoço.
Quando são as Fallas?
Em março, com o ponto alto entre 15 e 19. Monumentos gigantes enchem as ruas e ardem na última noite. É uma festa espetacular, mas muito barulhenta e concorrida.
Valência tem praia?
Sim. As praias da Malvarrosa e de Las Arenas ficam a pouca distância do centro e são largas, de areia fina, com passeio marítimo e restaurantes.
Preços, horários e regras são valores de referência aproximados e podem mudar: confirme sempre antes de ir. Fotografias: Pexels.



