Quanto tempo
5 a 7 dias. Com menos, a ilha fica a rir-se de si.
Melhor altura
Abril a outubro para caminhadas. A ilha tem clima ameno o ano inteiro, mas o norte é mais chuvoso no inverno.
Como chegar (a partir de Lisboa)
Avião, cerca de 1h30 de voo até ao aeroporto da Madeira, em Santa Cruz, a uns 20 a 25 minutos de carro do Funchal.
Ideal para
Caminhantes, casais, famílias com pernas valentes e quem acha que uma vista se merece a subir.
Não esquecer
Botas com boa sola, impermeável leve, lanterna frontal, protetor solar e um casaco para os 1800 metros.
Imagine que pegava numa montanha, lhe punha uma floresta por cima, a regava com canais de água e a largava no meio do Atlântico. Chamava-lhe Madeira. Aqui o terreno plano é tão raro que se estaciona em ângulos que desafiam a física. Vai subir, descer, voltar a subir e jurar que amanhã descansa. Não vai descansar, e ainda bem.
Funchal: a capital que vive em degraus
O Funchal desce pela encosta como um anfiteatro de telhados vermelhos virado para o mar. Os mais de cem mil habitantes que lá moram têm gémeos de aço. Quem chega de Lisboa e acha que já conhece subidas descobre que as da capital eram só o aquecimento. A boa notícia: a baixa, junto à marina e à Avenida do Mar, é relativamente plana e faz-se a pé com dignidade.
Comece pelo Mercado dos Lavradores, com azulejos à entrada e um rés-do-chão de fruta que parece ter saído de um catálogo tropical: anonas, várias castas de maracujá, banana-maracujá, pitangas. Lá ao fundo fica a praça do peixe, onde o peixe-espada preto está exposto com aquela cara de quem vive a mil metros de profundidade e não gostou de ser acordado. É feio que dói e delicioso que espanta.
A poucos minutos fica a Sé do Funchal, do final do século XV, sóbria por fora e com um teto de madeira trabalhada que obriga a andar de nariz no ar. Daqui, a Avenida Arriaga leva ao Jardim Municipal e à zona do teatro. Ao fim do dia, a marginal enche-se de gente a passear sem destino aparente, o que nesta cidade é quase um ato de rebeldia, porque andar a direito é um luxo.
Para dormir, o Funchal é a base mais prática: fica a menos de hora e meia de quase tudo, tem restaurantes para todos os bolsos e, quando o norte está metido em nevoeiro, há uma boa probabilidade de aqui estar sol. A Madeira tem microclimas como outros sítios têm semáforos.
Zona Velha, Monte e a descida mais famosa da ilha
A Zona Velha é o bairro mais antigo do Funchal e o mais fotogénico. A Rua de Santa Maria tem as portas pintadas por artistas, um projeto que transformou uma rua esquecida numa galeria ao ar livre. Ao fim da rua fica o Forte de São Tiago, amarelo-vivo, com o mar mesmo ali. À noite, as esplanadas enchem-se e a rua ganha um ar de festa permanente.
Também aqui, junto ao mar, parte o teleférico para o Monte, uma subida de cerca de 15 minutos por cima de quintais, bananeiras e telhados. É a forma mais elegante de ganhar uns 500 metros de altitude sem suar. Lá em cima está a Igreja de Nossa Senhora do Monte, com uma escadaria imponente e o túmulo do último imperador da Áustria, Carlos I, que morreu exilado na Madeira. Ao lado fica o Monte Palace Tropical Garden e, um pouco mais abaixo, o Jardim Botânico tem vistas largas sobre a baía.
Agora a parte que todos vêm fazer: os carros de cesto. São cestos de vime em cima de patins de madeira, guiados por dois carreiros vestidos de branco, com chapéu de palha e botas de sola de borracha que servem de travão. Descem cerca de 2 km por estrada até ao Livramento, em mais ou menos dez minutos. Parece absurdo e é. Também é muito divertido.
Os carreiros não o levam até ao Funchal, deixam-no a meio caminho. Daí, ou apanha um táxi ou um autocarro, ou desce a pé, se os joelhos tiverem assinado um seguro. Muita gente descobre nesta altura que descer custa mais do que subir.
Levadas: caminhar ao lado da água, há séculos
As levadas são canais de irrigação construídos desde o século XV para levar a água do norte húmido até aos campos do sul. Somam mais de dois mil quilómetros e, ao lado de muitas, corre um caminho de manutenção estreito e quase plano. Resultado: dá para atravessar montanhas a pé com um declive de passeio de domingo. O pior é que a vista ao lado às vezes é uma ravina de várias centenas de metros.
Grande parte passa pela floresta Laurissilva, Património Mundial da UNESCO desde 1999, um resto das florestas que cobriam o sul da Europa há milhões de anos. Musgos, fetos gigantes, loureiros, cascatas a cada curva. Para começar sem dramas, a Levada dos Balcões, no Ribeiro Frio, tem cerca de 3 km ida e volta e acaba num miradouro sobre o vale. Os tentilhões vêm comer à mão, sem pudor nenhum.
Para algo mais sério, a Levada do Caldeirão Verde parte do Parque Florestal das Queimadas, perto de Santana, e soma cerca de 13 km ida e volta, com túneis escuros e uma cascata enorme a cair numa lagoa. No oeste, a partir do Rabaçal, a Levada das 25 Fontes é a mais concorrida da ilha e com razão: dezenas de fios de água a cair numa lagoa verde. Vá cedo, porque ao meio da manhã parece a fila de um centro comercial em dia de saldos.
Alguns percursos classificados passaram a cobrar uma pequena taxa a visitantes, paga online, e há troços que fecham após temporais ou derrocadas. Nos percursos lineares, um transfer que o deixe no início e o recolha no fim poupa a ginástica de voltar ao carro. E um guia local sabe distinguir uma poça inofensiva de um troço que convém saltar.
Pico do Arieiro: acordar acima das nuvens
O Pico do Arieiro, com 1818 metros, é o terceiro mais alto da ilha e o mais fácil de alcançar: há estrada até lá acima, a cerca de 45 minutos do Funchal. Ao nascer do sol, quando o tempo colabora, os picos espetam-se num mar de nuvens e a paisagem parece de outro planeta. Muitos levam termos com café. Os experientes levam também gorro, porque lá em cima pode estar quase frio mesmo em agosto.
Daqui parte a Vereda do Areeiro, o percurso que liga ao Pico Ruivo, o ponto mais alto da Madeira, com 1862 metros. São cerca de 7 km só de ida, com escadarias talhadas na rocha, túneis e passagens em crista com vistas de cortar a respiração (que já vai cortada pelas escadas). Nos últimos anos, troços deste trilho têm estado fechados por incêndios e derrocadas, por isso confirme sempre o estado antes de ir.
Se fizer a travessia completa, acaba na Achada do Teixeira, do outro lado, longe do carro. Aqui um transfer faz mesmo sentido. O mesmo vale para o nascer do sol: conduzir curvas de montanha às cinco da manhã, ainda de noite e às vezes com nevoeiro, não é a forma mais zen de começar o dia. Um tour privado deixa-o só com o trabalho de abrir os olhos.
Se o pico estiver encoberto, não desanime: o tempo muda depressa. Espere meia hora e, de repente, as nuvens abrem como uma cortina de teatro. Ou não abrem, e ganha uma história para contar.
Porto Moniz e a costa norte: lava, ondas e cascatas
No extremo noroeste, a cerca de uma hora a uma hora e um quarto de carro do Funchal pela via rápida, fica Porto Moniz, famoso pelas piscinas naturais formadas em rocha vulcânica. O Atlântico entra por cima das pedras, enche as piscinas e o visitante fica dentro de água salgada e límpida enquanto as ondas rebentam a poucos metros. Há uma parte com estruturas, balneários e entrada paga, e zonas mais selvagens à volta.
A água ronda os 18 a 23 graus conforme a época, o que os madeirenses consideram agradável e os lisboetas consideram uma provocação. Leve sapatos de água, porque a rocha é rugosa. Em dias de mar bravo, as piscinas fecham. Mesmo assim, ver as ondas a galgar a rocha compensa a viagem.
A estrada para leste, entre Porto Moniz e São Vicente, é uma das mais bonitas da ilha. No Seixal há uma praia de areia preta com montanhas verdes por trás, um contraste que parece retocado. Pouco antes, o miradouro do Véu da Noiva mostra uma cascata a cair pela falésia direta ao mar. Em São Vicente, as grutas vulcânicas deixam-no caminhar por tubos de lava com milhares de anos.
Mais a leste fica Santana, com as casas de colmo triangulares, pintadas de branco, vermelho e azul. Algumas são reconstruções para turistas, mas continuam a ser a fotografia mais tirada do norte. Este dia faz-se melhor sem pressa: as estradas são boas, mas a cada curva há um miradouro a pedir paragem.
Câmara de Lobos, Cabo Girão e o que se come (e bebe)
A dez minutos do Funchal, Câmara de Lobos é uma vila piscatória com barcos coloridos puxados para a rampa e homens a jogar às cartas no largo. Winston Churchill pintou esta baía em 1950, e há um miradouro com o nome dele. É também a terra que reclama a invenção da poncha: aguardente de cana, mel e sumo de limão, batidos com um pau de madeira chamado caralhinho. Sabe a sumo e bate como um martelo.
Logo a seguir fica o Cabo Girão, uma das falésias mais altas da Europa, com cerca de 580 metros, e no topo uma plataforma de vidro sobre o vazio. Lá em baixo, junto ao mar, há pequenos terrenos cultivados aonde se chega por teleférico. A sensação de pisar o vidro é mais ou menos a de comer o quinto pastel: sabe que não devia, mas avança.
À mesa, o rei é a espetada: pedaços de carne de vaca temperados com alho e sal grosso, assados em espetos de pau de louro e pendurados num gancho por cima da mesa. Vem com milho frito em cubos e bolo do caco, pão achatado de batata-doce cozido em pedra e barrado com manteiga de alho. Há também o prego no bolo do caco, que resolve qualquer almoço em cima do joelho.
Do mar, peça lapas grelhadas com manteiga e limão, servidas na frigideira a borbulhar, e filete de peixe-espada com banana, às vezes com molho de maracujá. Parece estranho, funciona. Para terminar, um cálice de vinho da Madeira, que vai do seco Sercial ao doce Malvasia, e uma fatia de bolo de mel. Se preferir algo mais leve, peça uma nikita, a mistura de vinho branco, gelado e ananás que os locais defendem com unhas e dentes.
O segredo: Ponta de São Lourenço, a Madeira que não parece a Madeira
Depois de dias de verde, a ponta leste da ilha é um choque: falésias vermelhas, ocres e castanhas, quase sem árvores, recortadas contra um mar azul-escuro dos dois lados. A Ponta de São Lourenço parece mais um bocado de Marte do que um postal tropical. Muita gente salta-a por não ter levadas nem floresta, e é precisamente por isso que vale a pena.
O percurso faz cerca de 8 km ida e volta a partir do parque de estacionamento ao fim da estrada, depois do Caniçal. Tem subidas curtas mas valentes, sobretudo no fim, até ao Morro do Furado, de onde se vêem os ilhéus e, em dias limpos, o recorte de Porto Santo. Não há sombra nenhuma e o vento sopra como se tivesse contas a ajustar. Chapéu bem preso e muita água.
O segredo dentro do segredo é ir ao fim da tarde. A luz rasante incendeia as falésias, o calor amaina e os grupos já se foram embora. Calcule bem o tempo para não descer às escuras, porque o caminho tem troços expostos. Na volta, pare na Prainha, uma das poucas praias de areia escura natural da ilha, escondida numa enseada.
No Caniçal vale também uma paragem pelo passado baleeiro da vila, hoje contado em museu e não no porto. É uma Madeira mais crua, menos turística, onde ainda se ouve mais português do que outras línguas.
Cinco dias sem desperdiçar uma curva
Dia 1 — manhã
Mercado e baixa do Funchal
Mercado dos Lavradores cedo, antes da enchente. Sé, Avenida Arriaga e um café na marginal. Pergunte sempre o preço da fruta ao quilo.
Dia 1 — tarde
Teleférico, Monte e carros de cesto
Suba de teleférico a partir da Zona Velha, visite a igreja e os jardins, desça de cesto. Jantar e portas pintadas na Rua de Santa Maria.
Dia 2 — madrugada
Nascer do sol no Pico do Arieiro
Saída ainda de noite. Agasalho, café no termo e paciência para as nuvens. Se o trilho estiver aberto, faça parte da vereda.
Dia 2 — tarde
Levada dos Balcões e Santana
Caminhada curta no Ribeiro Frio, tentilhões incluídos. Depois, casas de colmo em Santana e regresso pelo interior.
Dia 3 — manhã
Porto Moniz
Banho nas piscinas naturais. Leve sapatos de água e uma toalha que não se importe de ficar salgada.
Dia 3 — tarde
Costa norte: Seixal e São Vicente
Areia preta no Seixal, miradouro do Véu da Noiva e grutas vulcânicas de São Vicente. Regresso pela via rápida.
Dia 4 — manhã
Levada das 25 Fontes ou Caldeirão Verde
Escolha a levada do dia e comece cedo. Lanterna frontal para os túneis do Caldeirão Verde.
Dia 4 — fim de tarde
Cabo Girão e Câmara de Lobos
Pôr do sol na plataforma de vidro, depois poncha no largo de Câmara de Lobos e espetada ao jantar.
Dia 5 — dia inteiro
Ponta de São Lourenço
Manhã livre no Funchal e percurso da Ponta de São Lourenço ao fim da tarde, com paragem na Prainha.
Quanto custa
A Madeira não é a ilha mais barata do mundo, mas também não lhe vai pedir um rim. Quem gasta mais é quem compra fruta no mercado sem perguntar o preço, e quem pede só mais uma poncha.
Poupado
70–110 €
на человека в день
Quarto partilhado ou alojamento local simples, autocarro e boleias planeadas, piqueniques nas levadas e prego no bolo do caco ao almoço.
Confortável
130–220 €
на человека в день
Hotel ou apartamento no Funchal, carro alugado, um ou dois passeios guiados e jantares com espetada e vinho da Madeira.
Sem olhar a gastos
300–600 €
на человека в день
Hotel com vista sobre a baía, tours privados e transfers para tudo, almoços demorados e uma garrafa de Madeira velho para levar.
Voo Lisboa–Funchal
por pessoa, ida e volta · Mais caro no verão, Natal e Ano Novo
60 € – 220 €
Alojamento no Funchal
por noite, quarto duplo · Hotéis com piscina e vista sobem bem acima disto
70 € – 180 €
Aluguer de carro
por dia · Escolha motor com força para as subidas
30 € – 70 €
Combustível
por dia · As distâncias são curtas, as subidas não
10 € – 25 €
Teleférico Funchal–Monte
por pessoa · Ida ou ida e volta
12 € – 25 €
Carros de cesto
por pessoa · Partilhar o cesto sai mais em conta
25 € – 40 €
Caminhada guiada numa levada
por pessoa · Normalmente inclui transporte
35 € – 70 €
Jantar com espetada
por refeição · Com bolo do caco e milho frito
18 € – 35 €
Poncha
por copo
2 € – 4 €
Prego no bolo do caco
por unidade
4 € – 9 €
Piscinas naturais de Porto Moniz
por pessoa · Zona com estruturas
2 € – 5 €
Taxa turística e de trilhos
por pessoa · Por noite ou por percurso, conforme o caso
1 € – 5 €
Valores de referência para 2026, aproximados. Confirme sempre antes de ir.
Erros de turista a evitar
- ✕Alugar o carro mais pequeno e fraco do parque. Nas subidas de Funchal vai ouvir o motor a pedir clemência e o de trás a buzinar.
- ✕Comprar fruta no mercado sem perguntar o preço ao quilo. A prova grátis acaba muitas vezes num saco com preço de joalharia.
- ✕Fazer levadas de chinelos, sem água nem impermeável. A floresta é húmida, o chão escorrega e o tempo vira em minutos.
- ✕Decidir o dia pelo tempo que está no Funchal. O norte e as montanhas vivem noutro clima.
- ✕Meter Arieiro, Porto Moniz e Ponta de São Lourenço no mesmo dia. As distâncias são curtas no mapa e longas nas curvas.
- ✕Vir à espera de praias de areia dourada. Na Madeira há rocha, areia preta e piscinas naturais. Para areia clara, apanhe o ferry para Porto Santo.
«Na Madeira temos quatro estações no mesmo dia. O que não temos é uma rua plana.»
Mais fotos de Madeira
Частые вопросы
Quantos dias são precisos para visitar a Madeira?
O ideal são 5 a 7 dias. Assim dá para conhecer o Funchal, subir ao Pico do Arieiro, fazer duas ou três levadas, ir a Porto Moniz e ainda ter um dia de reserva para quando o tempo não colaborar. Com três dias vê o essencial, mas a correr.
Qual é a melhor época para ir à Madeira?
A ilha tem clima ameno todo o ano, com temperaturas suaves mesmo no inverno. Para caminhadas, abril a outubro é a melhor altura, porque há menos chuva no norte e nas serras. Na passagem de ano e na Festa da Flor, na primavera, há muita gente e preços mais altos.
É preciso alugar carro na Madeira?
Não é obrigatório, mas facilita muito, porque muitos trilhos e miradouros ficam longe das linhas de autocarro. As estradas são boas, com muitos túneis, mas têm subidas fortes e curvas apertadas. Quem não quer conduzir pode juntar autocarros, tours guiados e transfers.
A Madeira tem praias?
Tem, mas não do tipo postal de areia dourada. Há praias de calhau, areia preta como a do Seixal e as famosas piscinas naturais de Porto Moniz. Para uma praia de areia clara, a solução é a vizinha ilha de Porto Santo, a pouco mais de duas horas de ferry.
As levadas da Madeira são difíceis?
Depende muito da levada. A dos Balcões é curta e fácil, ao alcance de quase toda a gente. Outras, como o Caldeirão Verde, são longas, têm túneis e troços com precipício ao lado. Confirme sempre o estado dos percursos antes de ir e, se não tem experiência, vá com um guia.
Цены, часы работы и правила — ориентировочные и могут меняться: всегда проверяйте перед поездкой. Фотографии: Pexels.



